Porto e barcos de cauda longa em Ko Samui, Tailândia
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Legados flutuantes
À distância, eles parecem simples — até o motor rugir. Na imagem, os barcos de cauda longa de Ko Samui, na Tailândia, escondem um truque genial. No início do século XX, pescadores passaram a acoplar motores de caminhão a cascos estreitos de madeira, criando embarcações leves e perfeitas para serpentear por águas rasas e recifes. Cada barco nasce do gesto paciente de artesãos, montado tábua por tábua, pintado em cores elétricas e adornado com flores e tecidos na proa, onde bênçãos budistas pedem uma passagem segura.
Essa inventividade tem parentes espalhados pelo planeta. No Senegal, pirogues pintadas à mão avançam por manguezais com motores de popa adaptados. No lago Titicaca, entre Peru e Bolívia, barcos de junco milenares ganharam propulsores discretos para deslizar entre ilhas flutuantes. No Brasil, voadeiras fluviais da região amazônica seguem o mesmo princípio: casco leve adaptado, motor de popa e um santo protetor guiando o caminho.
Mudam as águas, as crenças, o desenho da proa. O gesto, porém, permanece: fazer das embarcações um espelho fiel da cultura que as construiu.
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